sexta-feira, outubro 10, 2008

É a loucura.

E eu continuo sem perceber muito bem de onde vem.
Do título, pois então. E só.
'Mad Men'. Anda tudo doido com essa série sobre os publicitários de Madison Avenue nos idos da década de 50. Pois, muito bem, eu já vou no episódio 6 e, à parte de um sobre os cigarros LuckyStrike e do genérico, pouco mais tenho visto que retrate a vida de um publicitário.
Ok, o DC perde o sono em busca de um conceito, fala com pessoas na rua para lhes estudar as reacções, os paizinhos não conseguem perceber o que faz alguém que "trabalhe" em publicidade, os clientes são difíceis, e há accounts que sonham ser criativos. So what? E...anything else? Fuma-se, pelos vistos.
Estereótipos fraquinhos à parte, Mad Men ainda não foi além do retrato-tipo de um director criativo rodeado que accounts irritantes e de um visualizador e um copywriter apagadotes. Depois disso, é vida privada, o que não interessa a ninguém. Basicamente, a série podia ser sobre qualquer outra área profissional, gestores de empresas, contabilistas, escriturários, e outra gente normal que sobrevive em empresas grandes, onde a gente se come nos elevadores, se der, em várias acepções da palavra. E nos anos 50, dava menos, convenhamos. Fumava-se era mais. Aliás, na série, que deve ser patrocinada pelas tabaqueiras, fuma-se demais, ao ponto de o espectador pigarrear por excessiva exposição ao tele-fumo passivo. Talvez seja esse o maior contraste com a vida actual: o que dantes era um 'must' social, hoje é 'absolutely must not'.
Fazer uma série sobre publicidade, vende. É um bom conceito, vende. E mesmo que seja oco e pouco aprofundado, vende porque é aspiracional. Enche-se o peito a suspirar que a profissão de publicitário é glamorosa e toda a gente acha que é muito bem, até mesmo ubercool, fazer publicidade. Até pode ser, mas não é por nada do que é retratado na série.
Falta-lhe o processo criativo, a busca da ideia, a competição entre criativos, o choque de personalidades e egos, o discurso e o tipo de raciocínio do publicitário, com aquilo que tem de genial e o que tem de perverso. O Dr. House consegue ter mais disso nos primeiros 10 minutos de um episódio do que Mad Men me mostrou em seis.
Mad Men, a loucura? Só se for porque o publicitário (que trabalha a conta) o diz.
Porque nem sequer é série para publicitário ver.

10 Comments:

OpenID asourceofinspiration.com said...

A série destina-se a um público mais abrangente, por isso não estejas à espera que seja o BBC vida Selvagem da publicidade.

E ainda vais no episódio 6. Lá chegarás.

E como podes tu ficar insensível a uma direcção de arte daquelas?! Mal agradecida. Merecias que te enfiassem 2 horas por dia a ver Morangos com Açucar.

1:05 da tarde  
Blogger S. said...

Bem, isso, sim, seria a verdadeira loucura!! :P
Mas ainda bem que me dizes que há esperança... é que eu já me arrasto toda para ver cada episódio até ao fim. Não há pachorra para os dramas pessoais do sr. Draper.

3:01 da tarde  
Blogger Anita said...

onde é que passa essa cena? tou far far away. Mas já tinha ouvido falar da série. Não é mau!

3:44 da tarde  
Blogger bruno said...

A série é mais um "Conta-me como foi" em que, por acaso, as personagens trabalham numa agência de publicidade.
O foco da série é mais a América de outros tempos, a do machismo reinante, do lucky strike nos beiços e da publicidade de elites. Uma série de época, portanto.

Continuo a vê-la, não como publicitário, mas como fã de séries. Se não o fizesse também me arrastaria até ao final de cada episódio e acabaria por desistir.

Obviamente que gostava que a série fosse mais "sterling cooper" do que propriamente "donald draper". É pena, mas não deixa de ser uma boa série.

Como diz o Armando, a dir. de arte da coisa está formidável, mas também está muito bem escrita.

3:57 da tarde  
Blogger bruno said...

Anita, a série está a passar na fox next, exclusivamente no meo, se não me engano.

Mas olha que hoje em dia já se arranja tudo online. ;)

4:00 da tarde  
Blogger S. said...

Sim, sim, mas não é a loucura.
E não está assim tão bem escrita. É lenta. É muito lenta. Não há emoção, não há risco... não há profundidade que suficiente, ou vai-se aprofundando ao longo dos episódios. Mas talvez isso seja arte, também. Eu é que sou um nadinha mais exigente...
Seis episodios e ainda consigo viver sem ela...hmm. Não me parece grande espiga.

4:01 da tarde  
Blogger S. said...

Eu já tenho as duas primeiras séries. NB: apenas para considerar a possibilidade de as adquirir, sendo que as destruirei assim que tomar a decisão. :P

Qualquer outra série, já teria perdido noites a devorá-la....

4:04 da tarde  
Blogger bruno said...

Curiosamente, uma das cenas que mais gostei, não se disse uma palavra. (No episódio em que o draper abandona os anos da filha e fica imóvel ao ver o comboio passar...)

Quando digo que está bem escrita, é porque aquele ritmo me agrada. Acho que ajuda a situar a coisa em outros tempos. Hoje é que queremos dizer o dobro do que dizemos em metade do tempo.

Até à data, e vou a meio do 6º episódio, os diálogos parecem-me bem escritos, talvez bem escritos demais até, mas veremos como isto evolui daqui para a frente. ;)

E não, não é loucura nenhuma. A série até se chama mad men por serem homens da MADison avenue. =)

4:10 da tarde  
Blogger S. said...

É por explicares as coisas assim que eu gosto de ti.
Mas, lá está, compreendo que a série tenha tido grande impacto tal como "o Conta-me como foi" tem por cá.
Talvez seja mesmo a falta de identificação com o enredo que me esteja a turvar a admiração.
:)

4:20 da tarde  
Blogger bruno said...

Assim? Assim como? :) É por explicar em 30 linhas o que podia ser dito em 3?

E sim, acho que é essa identificação que mete alguns americanos doidos com a série. Parece que até nem eram muitos a assistir.

4:59 da tarde  

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